mar 07

Desbielou: defeito ou troféu?

Desbielou

É quase unânime entre os orgulhosos preparadores da atualidade que se a biela entorta ou quebra, é porque não suportou a potência obtida.

O fabricante da peça declara o limite de potência suportado pelo seu produto. Obviamente, o preparador não irá trabalhar conscientemente acima deste limite. Então, quando consegue tirar 500CV, 600CV de um motor VW AP e uma biela, que promete suportar mais do que isso, entorta ou rompe, ele não tem dúvidas: a biela é de má qualidade.

Em outras palavras, há quem afirme que não existe outra razão para uma biela entortar ou quebrar que não seja a potência. Será?

Se isto é verdade, então por que é comum as retíficas de motor receberem bielas originais deformadas que foram retiradas de motores originais que não receberam nenhum tipo de preparação? Aliás, segundo o estudo de falhas em motores de combustão interna da indústria química Girux, falhas em bielas, mancais e bronzinas encabeçam a lista de ocorrência nas retíficas com 24,4%.

Resumidamente, há dois motivos básicos para o fenômeno popularmente conhecido como “desbielar”: ou a biela não suporta a potência aplicada ou ocorreu alguma força contrária ao movimento livre do conjunto Biela/ Pistão/ Pino/ Virabrequim.

Na década de 80, existiu a copa Shell de marcas e pilotos. Eram motores turbo, carburados, com pistões e bielas originais (por força de regulamento) que, em ritmo de classificação, atingiam 350CV e, em ritmo de corrida, chegavam a 270CV em provas de até 3 horas. Lembrando que os componentes dos motores eram projetados para uma potência de aproximadamente 90CV. Na copa Shell, os motores turbos  eram preparados para gerar  muito mais potência do que as bielas, teoricamente, suportariam. Evidentemente, as quebras eram comuns, mas a grande maioria obtinha bons resultados. Estamos falando de uma época em que coisas como bomba elétrica e  injeção eletrônica, eram um terreno misterioso. Sem falar de sonda de banda larga/ data logger, itens que  não existiam ou eram inacessíveis à grande maioria. Os ajustes eram realizados via multímetro e, mesmo  assim, os preparadores conseguiam bons acertos e os motores produziam potência muito acima do limite da biela, sem quebrar.

Ou seja, a biela deformar por excesso de potência não é uma verdade tão absoluta quanto parece: ocorre, mas nem sempre.

Consultando alguns preparadores  experientes, o consenso foi que a principal causa de falha é falta de lubrificação, que pode ser ocasionada por vários fatores. O principal deles é o que chamamos de “quebra do filme de óleo” entre a bronzina e o munhão do virabrequim. A bronzina, sem lubrificação adequada, sofre desgaste excessivo (contato metal x metal) e perde a dimensão correta de trabalho. A folga criada após a destruição da bronzina é responsável pelo desalinhamento do conjunto, provocando toda a sorte de impactos no bloco/ cilindro, deformando ou quebrando a biela.

Mas, o que provoca esta “quebra do filme de óleo”?

  1. Qualquer impacto (calço)  contra o movimento livre do conjunto pode provocar a quebra do filme de óleo. Exemplo: choques ocasionados por objetos estranhos entre o cabeçote e o pistão, quando pequenas partes metálicas ingeridas ou desprendidas de algum componente do motor chega à câmara de combustão; ou, o mais comum, colisão do pistão com a válvula de admissão ou escape por excesso de rotação ou deficiência do trem de válvula.
  2. Falha do óleo lubrificante: por excesso de temperatura; por características do lubrificante não adequadas a aplicação; por contaminação, quando o combustível não queimado contamina o lubrificante (excesso de álcool, metanol, etc.).
  3. Detonação! Isso mesmo, quem tem experiência com manutenção de motores originais sabe que a detonação é um fator que causa sobrecarga no conjunto. Em motores com bielas forjadas, normalmente a biela suporta esta sobrecarga, mas o filme de óleo não.
  4. Excesso de torque nos parafusos pode provocar deformações no alojamento das bronzinas e dificultar a correta lubrificação.
  5. Resistência ao livre movimento do pistão no cilindro, por dilatação devido ao excesso de temperatura normalmente ocasionado por razão estequiométrica insuficiente (mistura pobre), detonação, folga inadequada, etc.

Além da quebra do filme de óleo há também as causas diretas. Entre elas destacamos algumas:

  1. O tempo de uso. É muito difícil definir vida útil quando falamos de peças de alta performance em ambiente de competição. Por isso, a manutenção preventiva e constante verificação são imprescindíveis.
  2. Travamento do pistão. Quando o pistão dilata o suficiente para travar no cilindro provoca uma obstrução total do livre movimento do conjunto.
  3. Dimensionamento inadequado da área de trabalho das bielas. Muitos modelos de Bielas fabricadas para  competição tem maior área e necessitam de retrabalho no bloco para que, em funcionamento, com dilatação e vibração, os componentes se movimentem sem obstruções. Caso a biela toque no bloco em funcionamento, por mais leve que seja o impacto, a destruição é certa.

Bem, há também a razão óbvia da quebra generalizada do motor: se um bloco rompe ou o virabrequim oscila dentro do bloco, certamente danifica as bielas.

Entretanto, quando falamos em bielas forjadas, ou seja, as mais resistentes, paradoxalmente todos os motivos expostos parecem não fazer mais sentido e apenas a potência parece ser a responsável pela falha na biela. Como potência nunca pode ser a vilã da história, então sobra para a qualidade da peça. Bem, diante de tantas evidências, parece claro que se trata de um mito: bielas forjadas podem ser vítimas tanto de excesso de potência quanto das inúmeras situações que podem alterar as relações brutais de força dentro de um motor para parâmetros nos quais a biela, mesmo forjada, não foi projetada.

Caso 1

Para exemplificar, vamos relatar um caso – ou para os cosmopolitas: um “case”. Para nós, muito mais um aspecto cultural, quase psicológico, do que propriamente técnico. Mas, ainda assim, parece bem ilustrativo.

Uma equipe de arrancada, a Tomate Racing, publicou a foto de uma das bielas da SPA Turbo – a Super A para 1000CV – acompanhado da seguinte afirmação: “Bielas para 1000cv em um carro de 600 da nisso!! Pelo menos 500cv de pico de potencia”.

Com uma biela torta nas mãos fica a pergunta: a biela quebrou o motor ou o motor quebrou a biela? Em outras palavras, se quisermos detectar a razão de uma biela quebrar/ entortar, precisamos identificar os sinais deixados no motor e descobrir O QUE OCORREU PRIMEIRO. Não é uma tarefa fácil, principalmente porque há interesses conflitantes e, às vezes, o cliente não está disposto a análises mais criteriosas.

Então, a equipe da SPA foi até a oficina da Tomate Racing mesmo não se tratando de um caso de garantia, pois a garantia não foi acionada pelo fato da biela ter sido adquirida em 2011 e ter sido utilizada em várias provas. Mas, mesmo com o intuito legítimo de entender o que aconteceu, a peça não foi concedida para análises laboratoriais. Tudo o que conseguimos foram fotos. Mas que dizem muito: se não dizem o que aconteceu, certamente dizem o que NÃO ACONTECEU.

Aqui está a biela:

Caso1_02

A alegação da equipe foi que a biela não suportou a potência. Esta hipótese é plausível, mas carece de uma investigação mais profunda.

Se repararem bem na foto abaixo, verão uma marca, indiscutível, da válvula estampada no pistão. Para isso ter ocorrido, o pistão bateu na válvula. Como disse, a questão é saber o que ocorreu primeiro. Como sabemos, uma pequena colisão do pistão com a válvula já é suficiente para quebrar o filme de óleo e provocar um decisivo desbalanceamento no conjunto.

Caso1_01

Se a biela não deformou instantaneamente, certamente a lubrificação foi afetada. Observe que as bronzinas estão fundidas contra a superfície da biela. Ou seja, foram “prensadas” sem lubrificação adequada, resultado da quebra do filme de óleo. Aqui o detalhe das bronzinas destruídas:

Caso1_04

Embora a foto abaixo esteja um tanto desfocada, dá para perceber a cor azulada da biela, mais um indicativo da temperatura excessiva por falta de lubrificação:

Caso1_03

Ainda há mais um detalhe que pode indicar outra razão para a biela ter entortado. Vejam esta foto:

Caso1_05

É visível que nenhum retrabalho foi feito no bloco, pois o vinco no bloco acima é o original. Devido as características do motor, talvez a biela não tocasse no bloco, mas certamente passava muito perto – um “fio de cabelo”, como se costuma dizer. Em um carro de competição isso pode ser considerado um descuido, pois a vibrações são bem mais intensas.

Trata-se de um caso típico. A maior parte dos problemas mecânicos provém de falta de lubrificação. O que nem todos sabem é que a falta de lubrificação nem sempre é causada por óleo vencido, vazamento ou descuido do preparador.

De qualquer forma, é muito difícil afirmar o que aconteceu dentro do motor no momento da falha. Tudo o que podemos fazer é levantar hipóteses, analisar as mais prováveis e descartar as improváveis. Mas, com certeza, é preciso muito cuidado com a afirmação “a biela não aguentou” sem uma boa análise.

Caso 2

Um outro cliente chegou até a garantia da SPA Turbo com uma biela – a Super Light 144 para 500CV – alegando que não suportou a potência.

Levando o caso até o departamento de engenharia, a desconfiança sobre o apressado diagnóstico do problema é geral: todos conhecem muito bem o projeto e a liga que o material é fabricado. A falha na biela ser causada por potência é, no mínimo, estranha.

Veja a foto abaixo:

Caso2_01

Bem, não há muito o que analisar com esta imagem. Mas analisando a foto da outra biela abaixo, que não quebrou, o departamento de garantia da SPA pode tirar conclusões interessantes.

Caso2_02

Reparem que a marca na lateral da biela é inequívoca: tocou o bloco. Ou seja, o preparador não conferiu corretamente se há espaço para a biela no bloco e deveria ter providenciado um retrabalho, prática corriqueira entre boas equipes, ou, se providenciou, foi insuficiente. Lembramos que “tocar no bloco” que causa a impressão de se tratar de uma só ocorrência foi um “pouco” mais do que isso: se consideramos um motor girando a 7000rpm em uma competição, o choque se repetiu mais de 110 vezes em apenas um segundo!

Informação: o motor foi utilizado em seis provas. A biela estava tocando o bloco durante todo esse tempo. Se fizermos uma estimativa, teremos algumas milhares de pancadas no bloco.

Conclusão: a desconfiança do departamento de engenharia da SPA não era para menos, pois a SuperLight é uma excelente biela. A surpresa foi que a biela também realiza alguns “milagres”: suportou milhares de marteladas no bloco sem deformar. É claro que uma delas encontrou o seu limite, mas é como o pessoal da engenharia da SPA costuma dizer: “projetamos bielas para suportar potência, não pancada no bloco, na válvula, superaquecimento, falta de lubrificação, etc., etc….”

O que nos chama atenção de tudo isso, não é o fato de uma peça aparecer quebrada, mas o diagnóstico precoce de alguns. O preparador que se apressa em anunciar a causa da falha da biela olhando somente para o seu efeito, perde uma preciosa chance de realizar outros ajustes, melhorar a performance do seu motor e evitar futuras quebras. Portanto, quando observar uma biela torta ser erguida como troféu, considere que há ali bem mais chances de erros do que méritos.

jan 15

Detonação: entenda o que é e como evitar

Martelo_detonacao_SPATurbo
Toc-toc-toc… Quem é?” Quem não conhece essa brincadeira? Mas cuidado! Se estivermos falando de motores a resposta pode ser “Seu motor quebrando!” Mas o que é? Como ocorre? O que ocasiona o “toc-toc-toc” (ou, se preferir, “tic-tic-tic”) também conhecido como detonação?

Esse fenômeno acontece dentro do motor. A detonação ou a famosa batida de pino pode ser identificada com um ruído característico que é semelhante ao som de pinos de aço batendo um contra o outro pela perda momentânea de potência e torque em condições de carga parcial ou plena.

A detonação é a combustão que ocorre em pontos de alta pressão e temperatura após a ignição da centelha, em um momento diferente da frente de chama principal. Assim, uma nova frente de chama é criada com velocidade superior a combustão principal ignitada pela vela. Ao se encontrarem, criam uma onda de choque que gera o ruído conhecido como batida de pino.

Um motor de ciclo Otto sempre irá trabalhar com algumas detonações. Isso é comum e o que gera quebra ou falhas sensíveis são a intensidade e a amplitude de onda que a detonação ocasiona. Caso a detonação seja de intensidade muito forte, ou seja, for ocasionada antes do pistão atingir o ponto morto superior, a pressão será tão forte que criará forças sobre a cabeça do pistão impulsionando o virabrequim no sentido contrário de rotação do motor. Isto incide muito stress ou tensões sobre o conjunto móvel e que em regra geral, ocasiona falhas e quebras. Existe a possibilidade ainda de a válvula de admissão estar aberta ou na iminência do fechamento: a frente de chama sempre irá procurar o local de menor pressão para se deslocar e, neste caso, seria para dentro do coletor de admissão. Isso é muito ruim, pois ocasiona quebras no sistema de admissão que não está projetado para suportar combustão.

As causas de detonação são muito variadas. Podemos citar dentre eles: ponto de ignição excessivamente adiantado, relação de compressão alta ou taxa alta, combustível insuficiente, temperaturas internas elevadas, pressão de turbo alta, temperatura do ar de admissão elevada, combustível de baixa octanagem, pontos quentes dentro do cilindro e etc. Todas as causas citadas e algumas outras são possíveis ocorrer em qualquer motor, principalmente motores de competição, em que a pressão final de combustão buscada é sempre a máxima possível. Os pontos quentes dentro do cilindro que também podem ocasionar detonações podem ocorrer por causa de depósito de carbono que se formam por combustão incompleta, cantos “vivos” que ficam incandescentes após algumas combustões, eletrodos de velas de má qualidade, etc.

Aproveitar um combustível de baixo custo às vezes é tentador. Mas, na melhor das hipóteses, você estará levando um combustível com baixa octanagem.

A octanagem é definida como um í2011-07-15 20.38.27ndice de detonação de um determinado combustível comparado com a detonação de um combustível de referência formado por uma mistura de n-heptano (C7H16), como referência de octanagem zero (0) e o 2-2-4-trimetil pentano (iso-octano) como referência cem (100). Por exemplo, um combustível de octanagem 85 indica que esse produto tem a mesma tendência de detonar no motor padrão de testes sob as mesmas condições de uma mistura de combustível formada por 85% de iso-octano e 15% de n-heptano. Há combustíveis, tais como gasolina de competição usada na Formula 1 e o etanol que possuem número de octanagem acima de 100. O etanol, por exemplo, possui número igual a 110. Para determinar esses valores, são usados outros combustíveis de referência que atingem 120 de octanagem. Combustíveis de alta octanagem previnem detonações “fora-de-hora” e os combustíveis baratos e de baixa octanagem as facilita.

Outro fator que aume2011-07-15 20.38.59nta as chances de detonação é a alta taxa de compressão nos motores modernos. Com a disseminação dos veículos “FLEX” e o constante aumento da rigidez de regras internacionais para a redução de emissão de gases tóxicos, a saída encontrada pelos fabricantes de motores foi o aumento da relação de compressão ou taxa de compressão. Aumentando-se a taxa de compressão, é possível ter motores de menor volume, gerando a mesma potência que antigamente só poderia ser atingida por motores de volume maior. Um exemplo são os motores de 1,4 litros que hoje geram a mesma potência que um motor antigo de 1,8 litros. Os motores 2,0 litros hoje têm a potência de um 2,5 litros com um consumo de combustível bem inferior que antigamente e com emissões incrivelmente inferiores. Com o aumento da taxa de compressão, a emissão de gases como CO (monóxido de carbono) e hidrocarbonetos é reduzida drasticamente. É claro que em contrapartida a emissão de NOx é aumentada, porém a grande parte é quebrada no catalisador. Em outras palavras, o aumento da taxa de compressão é algo para se comemorar quando falamos de rendimento do motor e redução das emissões de gases, mas é preciso ter dispositivos e ajustes considerando o fato de que taxas de compressão altas aumentam a probabilidade de detonações.

No caso de motores turbo-alimentados a ocorrência deste fenômeno é ainda mais frequente. O turbo-compressor envia ao motor o ar muito mais denso mas, em contrapartida, também muito mais quente. O ar quente ao entrar no cilindro passa pelo processo de compressão e a sua temperatura que já estava alta se eleva ainda mais. Caso a temperatura de ignição do combustível seja atingida durante a compressão, certamente teremos uma detonação e danos ao motor.

Hoje, os motores já estão equipados com sensores de detonação calibrados para detectarem as freqüências exatas de detonação crítica. Atrasam o ângulo de ignição da centelha e reduzem a demanda de combustível diminuindo potência e torque poupando o motor de uma conseqüente quebra. Em outros casos a solução encontrada é o aumento da injeção de combustível visando a diminuição da temperatura do cilindro. Há também outra medida: a utilização de intercooler, para reduzir a temperatura do ar enviado pelo compressor; trabalhar com relação de ar/ combustível mais baixa (valores de sonda lambda baixo: 0,80 – 0,75 dependendo do preparador); utilização de combustível de alta octanagem ou série Premium, preferencialmente etanol por ter um poder antidetonante alto e ter grande coeficiente de transferência térmica, o que reduz a temperatura na câmara de combustão.

A detonação pode não quebrar o motor em uma única ocorrência, mas sempre causará algum dano. O dano mais comum é a retirada de material onde ocorre a onda de choque e, nos próximos ciclos, a detonação passará a ocorrer no mesmo local, causando assim a quebra da peça onde a detonação foi mais reincidente.
Nos veículos de competição, a vulnerabilidade a detonações é maior por conta da proximidade aos limites do motor. As medidas a serem tomadas ficam por conta do preparador: todas as variáveis na calibração devem ser equilibradas para que o máximo seja atingido sem problemas. Mas, ainda assim, os mais experientes preparadores se surpreendem. Ócios do ofício.

Um forte aliado para a prevenção das detonações são equipamentos de detecção de detonação, como o “Knock Sensor” que literalmente “escuta” até as mais fracas detonações o que torna possível prever detonações mais graves (veja o video abaixo).

A ferramenta mais utilizada até pouco tempo, na verdade, não era exatamente uma ferramenta de detecção de detonações: são os condicionadores de sonda de banda larga que informam a quantidade de oxigênio no escape e, portanto, a proporção de ar/combustível no momento da combustão. Com essa informação é possível supor – apenas supor – a probabilidade de uma detonação.

Frederico Falcão Weissinger
Engenharia SPA Turbo

nov 23

Como escolher o Comando de Válvulas ideal para motores Turbo e Nitro

O texto a seguir dá algumas dicas para a escolha do comando de válvulas mais adequado para sua aplicação. Lembrando que as informações principais foram tiradas de uma fonte internacional, informada no final do texto e as conclusões são o resultado de entrevistas com os melhores preparadores do mundo de várias categorias. A SPA Turbo fez uma releitura e tradução do texto reescrevendo de forma mais simples e sucinta tudo que foi dito.

Primeiramente devemos explicar alguns termos que serão usados neste texto para facilitar o entendimento do leitor. “Lobe Separation” é a distância angular entre o ponto de maior levante da exaustão para o ponto de maior levante da admissão. “Overlap” (Cruzamento de Válvula) é o tempo em que tanto a válvula de exaustão quanto a de admissão estão abertas, isso ocorre ao final do tempo de exaustão e início da admissão. “Back Pressure” é a pressão dos gases de escape dentro do coletor.

Uma característica muito importante que se deve conhecer na avaliação de um motor é o “Back Pressure”, independente se o motor é turbo ou aspirado, pois esse dado informa a qualidade/ desempenho do Coletor de escape também em motores aspirados. Já no turbo é uma consequência tanto do coletor quanto da turbina. Por convenção (não são todos os casos), turbinas mais antigas geram “back pressure” maior que a pressão gerada na admissão e turbinas mais modernas geram mais pressão na admissão do que na exaustão (“back pressure”).

No caso da pressão na admissão ser menor do que no escape, a sugestão é utilizar um comando com cruzamento de válvulas baixo ou “lobe separation” alto (111° a 114°), pois como a pressão na saída é maior, os gases de escape terão dificuldades para sair do cilindro após a combustão (gases não queimados) e irão dificultar a entrada da mistura (ar/combustível) por isso devemos reduzir o tempo de ligação entre a admissão e o escape reduzindo este efeito.

Quando a pressão no escape é menor do que na admissão, o cruzamento deve ser maior, pois a diferença de pressão ajuda a entrada da mistura (ar/combustível) na admissão do cilindro. Portanto utilize comandos com “lobe separation” de 106° a 109°.

Vale lembrar que estas escolhas não são tão simples ou diretas e envolvem muitas outras características do motor sendo que, no final das contas, o usuário pode não chegar onde queria: afinal, gosto é gosto. Por exemplo, uma consequência de aumentar o “lobe separation” é o motor ter uma curva de potência mais crescente, parecendo que o carro perdeu potência, pois não tem mais a “patada” característica dos motores turbo, essa característica é benéfica para transmissão, pneus, etc…

Para avaliar o retrabalho (preparação) feito nos dutos de cabeçote, uma característica a se analisar é a curva de torque. Um cabeçote bem trabalhado aumenta a duração (ou faixa) de torque máximo.

Quando se fala em performance, escuta-se muito sobre usar somente tucho mecânico e o motivo é que nas corridas somente as rotações médias e altas são importantes então um conjunto leve se comporta melhor. O tucho hidráulico em funcionamento fica carregado de óleo aumentando seu peso, neste caso a possibilidade de flutuação de válvula é maior quando comparado ao tucho mecânico, mais leve. Quando falamos de aplicação normal (rua), o tucho hidráulico é mais eficiente e econômico já que regula a abertura da válvula de acordo com a pressão de óleo, que por sua vez é conseqüência da rotação, ou seja, conforme a rotação do carro aumenta, a pressão de óleo também e cada vez mais a abertura da válvula, gerando principalmente economia de combustível e aumentando torque em baixas rotações.

Voltando a algumas outras características de comando, outra regra direta (porém influenciável por outras características do motor) é sobre comandos assimétricos. Usando a admissão com maior duração que a exaustão trazemos a faixa de torque para as rotações mais baixas, já o oposto (exaustão com maior duração que admissão) fica mais fácil atingir maiores rotações com mais torque.
De acordo com testes feitos em dinamômetro, conforme se aumenta a duração do comando a potência aumenta significativamente, já o torque também aumenta até um ponto máximo e começa a reduzir. Nesta mesma análise, comandos com duração maior têm a maior potência em rotações mais altas assim como a faixa de torque. Lembrando que comandos com alta duração só terão bons resultados em cabeçotes preparados, adequados à configuração do motor e comando.

Uma pequena observação para carros nitro também pode ser feita quando se fala em comando. A temperatura alta da câmara de combustão separa as moléculas do N2O, fazendo com que oxigênio puro fique disponível para ser queimado. Portanto o cruzamento de válvulas, neste caso, deve ser pequeno para que este oxigênio puro não seja perdido pela válvula de exaustão.

 

Paulo Henrique de Melo Bruni
Engenharia SPA Turbo

FONTE:
- http://www.carcraft.com/techarticles/ctrp_1106_turbo_camshaft_guide/viewall.html
- http://www.carcraft.com/techarticles/ccrp_1209_the_turbo_cam_shootout/

set 03

Novo Toyota Elétrico: recorde mundial

Toyota Motorsport GmbH (TMG) construiu seu recente e bem sucedido motor elétrico de corrida estabelecendo um novo recorde no Pikes Peak International Hill climb no Coloroado, EUA.

Usando o carro de corrida TMG EV P002, alimentado pelo motor elétrico TMG de alta performance, o motorista Fumio Nutahara definiu um tempo de 10 minutos e 15,380 segundos, batendo assim um novo recorde para veículos eléctricos na trilha 19,99 km.

Depois de definir um novo recorde de volta  para carros elétricos no circuito de Nürburgring Nordschleife, em agosto de 2011, os motores eléctricos TMG definiram novos padrões em duas situações das mais difíceis no automobilismo.

O tempo Nutahara não só quebrou o recorde anterior para veículos elétricos (12mins 20.084secs) por mais de dois minutos, como obteve o sexto lugar geral para coroar uma impressionante estréia em Pikes Peak.

Com base em um chassis Radical, o TMG EV P002 tem uma velocidade máxima de 240 km/h na configuração para Pikes Peak, com potência máxima combinada de 350kW de seus dois motores de fluxo axial.

A tripulação TMG no local passou três dias de treinos ajustando o TMG EV P002 e seu propulsor elétrico para a escalada extenuante de 2.800 m para 4.300 m no topo, com resultados impressionantes.

Rob Leupen, TMG diretor de operações da empresa, disse: “Após o nosso novo recorde para carros elétricos no circuito de Nürburgring Nordschleife quase há um ano atrás, a TMG queria um novo desafio para os nossos propulsores elétricos. O Pikes Peak International Hill Climb nos deu a oportunidade não só para provar o potencial de automobilismo de motorizações eléctricas, mas para fazê-lo em um ambiente muito competitivo. É uma grande conquista da equipe aqui no Colorado e também a todos os que estão envolvidos com a TMG, em Colónia, que desempenharam o seu papel nesta tentativa de recorde de sucesso. Graças a eles e também aos nossos colegas da Toyota Racing Development, aqui nos EUA, que nos deram tanto apoio. Agora vamos iniciar a pesquisa para a próxima etapa para o propulsor elétrico TMG”.

 

TMG EV P002 Especificações Técnicas

Performance:

- Top Speed: 240km/h (configurado para Pikes Peak)
- Máximo Torque: 900Nm
- Máxima Potência: 350kW
- Máxima rotação: 5000rpm

Propulsor:

- Motor elétrico com 2 axiais de fluxo
- Inversor 2 x TMG inversor
- Taxa de Transmissão 2.5
- Transmissão de simples-redução
- Bateria de Lithium/ Cerâmica
- Capacidade da bateria: 42 kWh
- Tecnologia de cargas Off-board DC

Dimensões:

- Comprimento: 4.10m
- Altura 1.04m
- Largura 1.79m

 

Traduzido da Engine Technology International

Tradução: Humberto Santos

ago 31

Gás natural no grid

A America Le Mans Series (ALMS) e a International Motor Sports Association (IMSA), entraram em um acordo com a Equipe de Patrick Jackson – Patrick Racing Team -, para pesquisar e desenvolver o gás natural como combustível alternativo para os carros da classe dos  Protótipos Challenge (PC).

Abraçando o gás natural como um combustível seguro e abundante, IMSA/ALMS e Patrick Racing irá identificar oportunidades de desenvolvimento e testes para a fonte de energia carros da série PC, já na temporada de 2013.

“Corrida Verde (Green Racing) é uma forma para alimentar o desenvolvimento de tecnologia para os veículos em série do futuro, aumentar a segurança da energia nacional e reduzir as emissões de carbono. Vemos a adição do gás natural nas séries como forma de continuar nossa missão de estar na linha de frente do avanço tecnológico automobilístico, enquanto provemos inigualável entretenimento aos nossos fãs.” explicou o chefe de operações da ALMS Scot Elkins.

Duas competições “Green Racing” alinham carros no grid da ALMS: MICHELIN® GREEN X® Challenge direcionado para as equipes e o GREEN CHALLENGE™ direcionado aos veículos. A idéia é uma competição intensa para medir os fatores que determinam o vencedor da corrida mais importante do mundo – a corrida para um futuro energético seguro e economicamente viável.

Tanto o MICHELIN® GREEN X® Challenge como o GREEN CHALLENGE™ usam um exclusivo sistema de pontuação desenvolvido em conjunto pela ALMS, DOE e EPA. A equipe técnica premia o alto desempenho no circuito, eficiência energética e o menor impacto ambiental.

Patrick Racing desenvolveu o conceito de que o gás natural – uma fonte de energia extremamente abundante americana, limpa, segura e econômica – seria um combustível ideal para motores de corrida. A empresa também construiu e testou um motor de quatro cilindros turbo movido a gás natural.

“Estamos muito animados para nos tornarmos parte do mundo dos premier sportcar racing series e ansiosos para ajudar a difundir esta tecnologia como um elemento vibrante, visível e crescente no mundo das corridas. O gás natural é destinado a se tornar um item importante na indústria do transporte para veículos de passageiros. É abundante, doméstico, acessível e ecologicamente responsável. Por mais de um século, as corridas tem sido a ponta da lança no desenvolvimento de novas tecnologias para indústria do transporte. Isto esta alinhado com o espírito desta historia.”

A classe dos  Protótipos Challenge da ALMS apresenta o Oreca FLM09 como protagonista da “Green Racing”: um carro de corrida com um peso mínimo de 900kg e alimentado por 430 cavalos de potência do motor LS3 Chevrolet. Os FLM09 possui um chassi de fibra de carbono total, freios de carbono e uma caixa de mudança Xtrac seqüencial.

Fonte: http://www.alms.com/articles/alms-exploring-natural-gas-pc-class

 

 

ago 09

O Angry Bird: o espírito do 86-X

A equipe da SPA Turbo decidiu traduzir esta matéria da Speed Hunters pela história, pelo belo projeto e pelo fato da SPA Turbo ter uma pequena e modesta participação nessa história com nosso Coletor Turbo Toyota Supra, o que nos enche de orgulho.

 

Minha primeira lembrança de alguma coisa de Hachiroku (86 em japonês), e sobre drifting, começou com um senhor chamado Katsuhiro Ueo. Tenho certeza de que muitos de vocês lembram destes pequenos, enérgicos, INCRIVEIS primeiros clipes de drifting a saírem do Japão

 

Sei que este é tecnicamente um AE86, e não um 86 DE VERDADE, mas isso foi o começo para mim nos anos 2000.

Com um sonho muito distante de talvez um dia possivelmente ver os meus heróis de drifting ao vivo e fazer um drift com eles, consegui meu primeiro carro de drift, uma BMW E30 – de alguma forma um primo europeu do Hachiroku.

Cinco anos depois, meus amigos e eu construímos – e destruímos – vários carros de drift. Eu me tornei um completo aficcionado por drifting, investindo cada centavo no próximo ajuste.

Depois, em 2008, eu fui pra batalha com o primeiro e único Katsuhiro Ueo no Red Bull Drifting Championship em Long Beach, California. Naquela noite, quando meu pequeno grupo de amigos e eu o levamos para um “Bis”, foi um dos momentos mais incríveis da minha vida.

No “rerun” (quando existe um empate, os corredores devem fazer a disputa novamente, chamada “rerun”), Ueo me deu uma boa aula de pilotagem e com certeza mereceu a vitória, mas pensando novamente naquela noite ainda me dá calafrios.

Apesar do meu amor ter sido sempre pelos maiores e mais ousados Toyotas, sinto que tudo está girando em círculos agora: a Toyota lança um “remake” do 86, que ao meu ver, foi o carro ao qual nos baseamos para montar nossos carros de drift. Neste verão, estávamos de volta em nossa garagem, com aquele velho pensamento de fazer algo totalmente novo. É sempre mais excitante quando você não sabe no que isso vai dar.

Nós cobrimos o projeto 86-X quase inteiramente aqui no SpeedHunters, mas nunca tivemos tempo para ir ver o carro pronto, então que ocasião melhor que o Dia do 86?

Depois de um período maluco de construção, conseguimos terminar o carro para Gatebil – ou parte dele.

Apesar de não termos pintado o centro das rodas, acho que conseguimos um visual bem próximo do projeto original, que foi criado por Michael Creighton, Rod Chong e eu, baseados no design original de  SpeedHunters/Need for Speed feito por Andy Blackmore.

Tenho que dizer que certas partes externas ficaram ainda mais agressivas que o conceito original, um exemplo são as “sobrancelhas” do farol traseiro que o MadMike e Erik da Auto-Sign adicionaram.

Muitas pessoas me disseram que o carro lembra os porquinhos do jogo de celular Angry Birds, e olhando a traseira agora me faz dar risada.

Também gosto da tinta escura metálica que meu pintor Espen trouxe como terceira cor. Sinto-me muito lisonjeado de ter grandes pessoas me ajudando a fazer tudo direito, pois sou muito preocupado em fazer que as coisas funcionem do jeito correto.

A respeito disso, nós viemos de um longo caminho até expor o carro no Gatebill- meio de Julho.

O radiador montado na traseira funcionou muito bem, com temperatura estável de 80°C do começo ao fim. Estamos usando uma bomba mecânica original da Toyota, sem bomba elétrica suplementar.

O único problema térmico que temos são as mangueiras metálicas do radiador que passam na cabine que agem com um grande trocador de calor e, sim, fica bem quente lá dentro.

O motor funcionou bem tranqüilo todo o final de semana. Este é exatamente o mesmo motor que usamos no Supra no Need For Speed Japan Auto Show em Abu Dhabi, Qatar, em Silverston e Mondello no ano passado.

Este é um 2JZ-GTE básico com alguns produtos a mais, pistões com maior compressão como única modificação interna. Usamos um setup bem conservador com um coletor fundido SPA Turbo estilo “caminhão diesel” e um turbo COMP CT4B de tamanho médio. Eu e meu preparador Bjorn no SWR Performance Engineering gostamos de “especificações industriais” e desenvolvemos tudo para arrebentar. Nosso último gráfico de Dinamômetro mostrou 661hp e 872Nm nas rodas traseiras.

Seguimos duas regras nas nossas construções de carro que não foram ditas. A regra numero um é nunca comprometer se algo é crucial para o total sucesso do projeto e, com este projeto, um aspecto crucial era pegar todas as peças na Noruega antes do prazo. Sem as peças não teríamos um carro para nossa estréia em Gatebil. Por isso muito tempo foi gasto na comunicação com os patrocinadores, empresas de entrega, autoridades de comércio para ter certeza de que tudo chegasse a tempo. Agora a frase lendária “overnight parts from Japan” definitivamente tem relevância nesse projeto…

Nossa segunda regra é usar a teoria do 80/20 para tudo que não é crucial. Se for fazer algo 100% perfeito, isto requisitará 100% do seu tempo, mas se você reduzir o seu padrão um pouco e realizar algo 80% perfeito, que ainda é muito bom, isto irá tomar apenas 20% do seu tempo. Então na teoria, se você é o tipo da pessoa que é sempre perfeccionista, você pode aumentar sua produtividade em cinco vezes usando a teoria do 80/20 e deixando um pouco de lado seus padrões.

Em resumo, o que estou dizendo é: a maioria das coisas na vida não precisam ser absolutamente corretas. Para um carro de corrida, você só precisa de perfeição para fazer o carro ser o mais rápido possível. Sempre temos que comprometer alguma coisa e se você se compromete sempre em não acabar as coisas pois seus padrões são muito altos, então é hora de rever seus conceitos. Usando o 80/20 nas coisas que não são tão importantes libera seu tempo para realizar o que realmente importa.

Para completar, contanto que você atinja o objetivo final do seu projeto, qualquer que ele seja, não importa se você está em chamas numa pilha de lixo quando você chegar lá. Ainda sim você chegou.

Quando um carro de corrida é uma parte carro show e outra parte “outdoor” para os produtos de fornecedores aí fica interessante, porque é quando alguns limites entram no jogo. Você precisa fazer parecer bonito além de manter o objetivo na performance do carro. É a funcionalidade a frente do design, mas você precisa trazer o design com você.

Então quais atalhos nós pegamos para ter o 86-X, para corrida e foto, pronto em 37 dias?
Nós atacamos os maiores problemas primeiro, fazendo o motor e transmissão caberem antes de alojar cada item onde tivesse espaço.

Não usamos tudo novo. Amassamos partes pontiagudas no túnel do câmbio com um martelo e usamos partes usadas e testadas ao invés de novas e brilhantes. Toda a suspensão traseira e transmissão foram originais para Gatebil, mas iríamos usar Semi-eixo reforçado após a quebra da junta CV pouco antes da Competição de Breisladd (Powerslide).

Nós pintamos com spray o interior do carro, e economizamos alguns dias com isso.
Com todo o resto, colocamos o máximo de tempo, esforço e conhecimento o máximo que pudemos. Pois o objetivo dos atalhos era justamente livrar tempo para as coisas que eram super importantes para fazer deste um carro de drift perfeito.

Para mim, o carro de drift perfeito é aquele que tem todo o peso na frente, que traduz ser rápido, ao mesmo tempo que é fácil de guiar e obediente. Fazer Drift é parecido com um desastre que está prestes a acontecer: a única certeza é que o carro que lidera não vai fazer exatamente o que você está esperando. Por isso, minha filosofia é fornecer muita dirigibilidade no carro para permitir se recuperar de uma situação inesperada.

Especificamente, esta excelência em dirigibilidade inclui uma trava de direção adicional, que dá margem para previnir um giro caso você tenha pisado no freio um pouco a mais ou se jogou muito forte na curva.

Com o 86-X tivemos que alongar o eixo dianteiro um pouco para fazer espaço para o conjunto de roda e pneu no esterçamento completo. O motor boxer original é bem largo comparado aos em linha ou V, o que indica que as longarinas são bem distantes. Isto, em partes, limita bastante o espaço das rodas. Completando, o espaçador de 25mm que usamos para o Gatebil explica a tala larga frontal do 86-X. Correremos com menos “scrub radius” (removendo os espaçadores) num próximo estágio, mas a tala larga ajuda a estabilizar o carro.

Além disso, usamos partes que estou familizarizado que me ajudam a ganhar velocidade o mais rápido possível. Usamos a coluna de direção do Toyota Soarer, que é bem parecida com a do Supra, assim como um pedal de acelerador e borboleta do Supra para fazer as transições mais facilmente. Nossa esperança era que todas estas peças diferentes se fundissem e trabalhassem juntas perfeitamente.

E apesar de termos nossa parcela de problemas de estreante, funcionou! Depois de algumas sessões conturbadas no sábado, conseguimos duas sessões decentes e úmidas no domingo. O 86-X estava fazendo Drifting!

Assim, o 86-X preencheu meu sonho de um carro dos sonhos: ágil, agressivo e acessível carro de drift.

Contudo, estou muito orgulhoso do que nossos amigos e patrocinadores ajudaram a construir na nossa primeira presença no Gatebil.

Com tudo isto dito, eu sinto que eu e o projeto 86-X como um todo, devemos muito ao pequeno carro dos anos 80 que é o Hachiroku. Se eu não tivesse visto estes épicos vídeos do Ueo, eu teria começado no drifting? Algo como o GT86/FR-S teria existido sem o original AE86? Quem sabe estaríamos todos colecionando adesivos ao invés disso.

Sinta-se a vontade para se juntar neste brinde para louvar o original AE86 Hachiroku e por tudo que ele foi – e ainda é. Saúde!

Estamos agora trabalhando na instalação do novo e robusto diferencial traseiro antes da estréia do 86-X em Silverstone, pelo British Drift Championship em Trax dia 2 de Setembro. Ganhamos o evento pela menor margem ano passado e sei que este ano os Britânicos estão com o objetivo de um troco. Assim como a delegação Irlandesa Prodrift, que iremos encontrar em Mondello Park dia 9 de Setembro… E quem mais quiser aparecer!

Te vejo lá?

Fredric Aasbo

 

 

Tradução Paulo Bruni – depto. de Engenharia da SPA Turbo

 

jul 19

O que é R/L do motor?

A relação R/L é a divisão do raio do virabrequim pelo comprimento da biela. Essa relação é uma das mais sensíveis no funcionamento do motor. Uma biela maior e um pequeno raio de virabrequim resultam em um R/L menor e quanto menor esta relação, melhor. Quanto menor for a biela, maior será o percurso do centro de gravidade do conjunto biela-virabrequim dentro do motor. Isto reflete em forças maiores agindo contra o movimento de rotação. Em contrapartida, quanto menor for a circunferência que o centro de massa do conjunto percorrer, menos potência efetiva o motor gastará para mover o conjunto e, portanto, maior será a facilidade de obter rotação para aproveitar esta potência em benefício do desempenho do motor. Como podemos ver, o centro de massa “C” próximo do virabrequim (de uma biela menor) gera um raio maior do que o centro de massa mais distante do mesmo (utilizando uma biela maior).

Assim, fica evidente que uma biela maior é preferível se o objetivo é otimizar as relações de forças dentro do motor e melhorar o desempenho.

Pensando como projetistas de motores ou preparadores, é sempre preferível utilizar um conjunto formado por pistão, pino, biela e virabrequim com a mínima massa possível, pois este conjunto terá a menor inércia mássica, fundamental para obter potência. Há uma série de razões que podemos citar para que a biela seja prolongada. Uma delas, a mais sensível e importante, é que quanto maior for a biela, menor será o raio de atuação do centro de gravidade da massa do conjunto e consequentemente, menores serão as forças que agirão contra. Para melhor detalhar essas forças, chamadas de forças de segunda ordem, utilizaremos a equação a seguir:

 

Onde:

- F= Resultante de forças devido a somatória de massas alternativas;
- w= Rotação do motor em radianos por segundo;
- r= raio da manivela (Metade do curso);
- l= Comprimento da biela;
- θ= Ângulo do virabrequim;

As forças de segunda ordem são as forças que ocasionam o desbalanceamento e a vibração do motor. São elas que fazem com que o motor diminua seu rendimento devido ao desbalanceamento. Como é possível ver acima, as forças de segunda ordem são totalmente dependentes da relação de raio de manivela por comprimento de biela e de duas vezes o ângulo do virabrequim. Portanto, quanto menor for a relação de R/L, menores serão as forças que impedirão o ganho de torque e que diminuirão o rendimento do motor. Para isso é importante que se utilize uma biela o mais longa possível dentro do projeto.

Devemos ter em mente que quanto menor for à biela, maior será a ângulo que ela trabalha. Isso reflete em termos de força sobre o pistão, pois quanto maior o ângulo, maior será a componente de força que incidirá sobre a saia do pistão. Princípio básico de física de ação e reação, ou seja, quanto mais decompomos o ângulo, mais força no sentido da parede do cilindro será descarregada sobre o corpo do pistão e conseqüentemente, maior o atrito entre saia e cilindro.

Altas forças contra a parede do cilindro significam altas forças de arrasto do pistão. Isso reflete em perdas por atrito, elevação da temperatura do motor, desgaste prematuro do pistão e de anéis.

Há muitos meios de se contornar esses desgastes tais como filme de bissulfeto de molibdênio na saia do pistão, filme de Politetrafluoretileno (PTFE), deslocamento do pino de pistão (Pino fora da linha de centro de atuação do pistão), deslocar o cilindro da linha de centro do virabrequim, etc. Entretanto, qualquer mudança em projeto reflete em dificuldades, complexidades e altos custos. A alternativa de utilizar bielas longas é sempre mais viável sendo compatível com componentes já existentes.

Frederico Falcão Weissinger
Engenheiro Mecânico da SPA Turbo

jun 29

Comando de Válvulas – Manual

Comando de Válvulas SPA Turbo 276-P

Como chegou recentemente a nova remessa de comandos SPA Turbo, aproveitamos para tocar em alguns assuntos interessantes e disponibilizar antecipadamente o manual do SPA 276-P – com nova liga. Veja.

 

Comando SPA Turbo 276-P – Dicas de Motagem

Os comandos de válvula SPA Turbo são projetados para proporcionar aumento de potência com maior graduação e levante que os comandos originais. Testado em campo, mostrou-se muito eficiente, mas é importante observar que a substituição de qualquer componente com o objetivo de aumento de potência requer sempre algumas alterações.

Serão necessárias modificações no cabeçote devido ao maior levante e graduação, pois a ponta do came atinge a borda do alojamento do tucho, ocasionando desgaste em ambos. Este descuido traz danos permanentes ao comando, e em situações extremas a destruição do motor.

Interferência do comando com o cabeçote

Cabeçote retrabalhado

CABEÇOTE

Por esse motivo, a borda do alojamento do tucho deve passar por um retrabalho a fim de evitar que a aponta do came atinja o alojamento do tucho. A imagem demonstra o retrabalho (parte superior direita).

Para atender a graduação e levante do projeto especificado em alguns modelos de comandos SPA o círculo base é redimensionado.

Por esse motivo sugerimos algumas alternativas para a correta instalação:

a-    Substituir as válvulas por outras com maior dimensão (altura da haste);
b-    Utilizar calço na cabeça das válvulas (as pastilhas originais não tem espessura suficiente para proporcionar regulagem de folga adequada );

calco_para_cabeca_de_válvula

Calço para cabeça de válvula

MOLAS

Os comandos SPA Turbo caracterizam-se por agressivos levantes e duração, portanto todo o conjunto de “valvetrain” precisa estar preparado para recebê-los. Antes de realizar a instalação, é necessário verificar a situação das molas na condição mais crítica, o maior levante. Para isso e necessário saber qual a altura da mola instalada (altura da mola no cabeçote travada na válvula), e reduzir desta altura o levante máximo do comando, informado na ficha de identificação. Após comprimir a mola com estas medidas consegue-se avaliar a folga entre os elos que deve ser de no mínimo 1,25mm.

Figura 3 – Folga mínima entre os elos

Figura 4 – Folga mínima entre trava/ retentor

Para que estas medidas sejam obedecidas, uma opção é usinar/rebaixar o assento da mola no cabeçote aumentando o curso de trabalho da mola . Atenção: após este retrabalho reavalie as cargas de instalação e de abertura máxima, se necessário substitua a mola.

Dinamômetro de mola

Ferramenta para usinagem do acento

Aumento do curso de trabalho de mola

Caso esta avaliação não seja feita da forma correta, as molas serão prensadas entre os pratos e causarão forças excessivas sobre o comando, danificando-o. A foto ao lado identifica uma situação onde ocorreu o choque:

Vincos (desgaste) apareceram na mola, decorrentes do choque com os pratos inferior e superior.

TUCHOS

Fique atento para a rugosidade superficial dos tuchos utilizados. Uma peça áspera danifica facilmente o comando de válvulas, mesmo com a lubrificação correta. Quanto mais áspera uma peça, mais rugosa e mais opaca é sua superfície, como podemos ver abaixo na comparação:

peso=59,05g / peso=50,10g

A direita temos um tucho hidráulico original que consegue refletir perfeitamente a caneta em razão de sua baixa rugosidade, à esquerda temos um tucho disponível no mercado de performance com alta rugosidade e extremamente danoso ao comando.

Após montagem do sistema de molas, tuchos e comando, gire o comando para verificar se ele trabalha livre e abre corretamente as válvulas. Ao verificar as folgas, gire os tuchos em seus respectivos guias para confirmar se não houve travamento ou ovalização.

A SPA Turbo não recomenda a transformação de tuchos hidráulicos em mecânicos pelo processo de usinagem como descrito abaixo:

Observe que a estrutura (parede) retirada pela usinagem além de compor o dispositivo de acionamento hidráulico, tem função estrutural, garantindo a integridade geométrica da peça durante o seu funcionamento.

Essa alteração enfraquece o componente, que submetido às forças de trabalho tende a ficar oval impedindo seu correto funcionamento (não gira). Em tuchos mecânicos, nunca utilize calço sob as pastilhas de regulagem, nem utilize pastilhas com espessura superior a 3,65 mm. Isso provocará o deslocamento da pastilha para fora do alojamento do tucho, provocando quebra do motor e/ou desgaste prematuro do comando.

Montagem incorreta

Rampa do comando entra em contato com borda da pastilha, provocando desgaste por atrito.

Calço sob a pastilha e/ou pastilha com dimensão maior: desencaixe do alojamento.

Verificação de tucho e prato: verifique se o tucho em trabalho (curso Maximo) não atinge o assento da mola, do prato ou o retentor que é montado sobre a guia de válvula. Dica: com o sistema montado, acione o tucho e verifique (utilizando um paquímetro), se a altura é maior que o levante do comando, caso seja, a montagem está correta. Caso ocorra o bloqueio antes do valor máximo do levante, não monte o comando, desmonte o sistema e verifique qual peça está bloqueando o acionamento e corrija o problema.

Além da parte dimensional, também se deve atentar para as cargas de trabalho da mola.

Verifique no site da SPA Turbo os valores recomendados.

 

Equipe de Engenharia da SPA Turbo

jun 18

24 horas de Le Mans 2012

24 horas de Lemans

Audi conseguiu uma histórica vitória no 80° aniversário das 24 horas com R18 híbrido

O número 1 Audi R18 e-tron quattro dos pilotos Andre Lotterer, Marcel Fassler e Benoit Treluyer recebeu a bandeira quadriculada exatamente nas 1500 horas. Audi Sport assegurou sua 11º vitória na 24 Horas de Le Mans. Mas esta edição foi histórica por uma série de fatores, como por ser a primeira a ser vencida por um veículo de propulsão hibrida, por ser o 80º aniversário da competição, e por ter sido o primeiro ano em que a mais famosa prova de endurance entrou como uma etapa oficial do calendário da campeonato mundial da FIA de Campeonato de Endurance.

A Audi preencheu os três primeiros lugares do pódio deste ano, com o Audi número 2 de Tom Kristensen, Allan McNish e Dindo Capello em segundo e o convencional a diesel No.4 Audi R18 ultra em terceiro. Mike Rockenfeller, Oliver Jarvis e Marco Bonanomi eram os pilotos.

Quebrando a hegemonia dos Audis, o número 12 Rebellion Racing Lola Toyota de Neel Jani, Nicolas Prost e Nick Heidfeld terminou a prova em quarto lugar depois de mostrar uma incrível consistência e confiabilidade. Completando os seis primeiros lugares de Le Mans, o recém-chegado JRM Motorsport número 22 e o HPD ARX número 3 estavam nas mãos confiáveis dos antigos vencedores David Brabham, Peter Dumbreck e Karun Chandhok, o primeiro indiano a competir no clássico Sarthe.

Na categoria LMP2, 12 de 20 carros continuaram a competição depois das 24 horas, o que é uma conquista fantástica para todos os competidores envolvidos. O melhor lugar foi o Americano número 44 Starworks Motorsport HPD ARX 03b, pilotado pelos vencedores de 2011 Tom Kimber, Smith com Ryan Dalziel e Enzo Potolicchio seguidos por três Oreca Nissans operados por Thiriet da TDS Racing, Pecom Racing e Signatech Nissan.

A classe de Produção GTE permitiu que as grandes marcas de carros luxuosos aparecessem desde o início dos estágios da corrida, com batalhas entre Aston Martin, Corvette, Ferrari and Porsche. Contudo, o final foi dominado pela Ferrari que levou primeiro, segundo e quarto lugares. Sendo completamente reconstruído pela equipe após um acidente de teste um dia antes, o número 51 AF Corse Ferrari 458 Itália, na mãos de Gianmaria Bruni, Giancarlo Fisichella e Toni Vilander, terminou duas volta na frente do número 59 Luxury Racing Ferrari e do número 97 Aston Martin Vantage. Este foi um final de semana para ser esquecido pelo número 74 Corvette, que teve problemas depois de prosseguir incrivelmente por 10 horas de corrida, mas o número 73 Chevrolet defendeu a honra do fabricante no seu 60° aniversário.

Depois de uma batalha pescoço a pescoço na categoria GTE AM entre o número 50 Larbre Competition Corvette de Julien Canal, Pedro Lamy e Patrick Bornhauser e o  número 67 IMSA Performance Matmut Porsche de Anthony Pons, Raymond Narac e Nicolas Armind, a equipe francesa ex-campeã levantou a mão e levou a vitoria. Para Julien Canal esta foi a terceira vitória consecutiva na GTE AM. Em terceiro lugar, estava a Ferrari  458 Krohn Racing Itália – Tracy Krohn e Nic Jonsson gravaram seu terceiro pódio nas 24 horas de Le Mans e Michele Rugolo seu primeiro.

Houve 21 abandonos oficiais. A mais notável foi a que envolveu os dois novos Toyota TS030 Hybrids. O piloto britânico Anthony Davidson no Toyota número 8 se envolveram em um sério acidente na sexta hora de corrida, a qual o levou para hospital com problemas na costas. Felizmente ele está bem e deve sair do hospital em alguns dias (veja o video abaixo).

O outro Toyota que se envolveu em um incidente viu-se retirado da corrida pelo inovador Nissan DeltaWing Veja os vídeos abaixo: do acidente e da heróica tentativa do piloto em recuperar seu carro e prosseguir na prova.

 

Texto original Lemans.org

Tradução Flávio Koiti Maruyama

jun 14

DeltaWing: o diferente das 24 horas

Por ser tão inovador, a ACO (associação organizadora das 24 horas de Le Mans) convidou o DeltaWing para ocupar o Box 56, reservado apenas para os veículos tão inovadores que correm fora da competição oficial. Se o Delta wing correr, e por ser tão diferente há quem duvide, ele deverá ficar entre os LM P1 e LM P2, já que a ACO não quer ver este “excêntrico” envergonhar as grandes como AUDI e TOYOTA.

O convite foi anunciado no ano anterior, pelo Projetista inglês Bem Bowlby e sobrava apenas uma questão: Qual motor utilizar para o “Projeto 56”?

Bowlby confidenciou que o objetivo era utilizar um motor leve com potência em torno de 300 hp. Assim os motores utilizados no WRC (Campeonato Mundial de Rally, sigla em inlges)/WTCC (Campeonato Mundial de Carros Turismo, sigla em inglês) encaixavam-se bem ao objetivo, já que foram concebidos com injeção direta de combustível já visando a eficiência energética. Em 2011, diversas montadoras como BMW, Ford e Citroen para rally; Volvo, Seat e Chevrolet para WTCC, utilizam estes motores.

Em 2011, o acerto dos motores Chevrolet para WTCC e WRC era feitos por Ray Mallock ldt (RLM) e durante a semana de Len Mans, o autor apresentou Bowlby para Willem Toet, que era diretor da RLM, e então c

Ben Bowlby

onversaram sobre a nova geração de motores da RLM.

Não foi surpresa ver a RLM produzir os motores para o DeltaWing, porém isto não deveria surpreender  já que a RLM tem relação com os grandes fabricantes, inclusive com a Nissan nos anos de 80 e 90 na categoria C.
A Nissan possui um motor da categoria LMP2 desenvolvido pela NISMO ( departamento de alto desempenho da Nissan, sigla em inglês), porém é um bloco 4.5 litros V8, muito pesado e potente para os requisitos do DeltaWing.

É importante notar que as características do motor do DeltaWing são apenas parecidas com as do WRC E WTCC. Já que este motor não precisará ter restrições de pressão, rotação ou restrição de ar, porém deverá correr por 24 horas. Os motores da WTCC e de Rally são para longa duração por regulamento, porém correm provas relativamente curtas se comparadas às 24 horas da competição. Dado a falta de limites no regulamento, não é problema conseguir potência do motor, pois o limite do projeto é durabilidade, economia de combustível e leveza.

Os trabalhos começaram em julho de 2011 e a primeira vez que o carro andou foi em 1º de março. Nissan utilizou a melhor liga de alumínio da RLM para o bloco, duplo comando de válvula, 16 válvulas de uma unidade da WTCC.  Contudo, foi garantido pela Nissan, que esta unidade foi desenvolvida sob medida pela RLM com os dados fornecidos pelo próprio Centro Técnico de Desenvolvimento Europeu da Nissan. Como resultado é o DeltaWing Nissan DIG-T (Injeção direta de combustível  – Turbo, sigla em inglês).

Um mesmo motor WRC/WTCC respira através de uma restrição de ar de 33mm (855mm²)  e uma pressão máxima no coletor de admissão de 2,5 bar. Limitados também a rotação de 8500 rpm, o que faz a potência máxima em torno de 325bhp a uma rotação não maior que 6500rpm. A ACO não impôs uma restrição de ar para o DeltaWing.

Atualmente o motor utiliza o corpo de acelerador fly-by-wire do SUV Juke, que fornece 50 mm maior no diâmetro de entrada de ar gerando uma área de 1963mm², ou seja, 230% maior que o utilizado nos WRC/WTCC e ainda maior que qualquer outro protótipo. Assim diferente de qualquer outro protótipo contemporâneo, o DeltaWing DIG-T não roda “sufocado”.

O DeltaWing não enfrenta nenhum limite na pressão no coletor ou rotação do motor. A potência requerida para as ambições nas 24 horas de Le Mans foram calculadas entre 290 – 300bhp, o que para o contexto de um motor 1.6 litros, sem restrição de ar, podem ser obtidos com diversas permutações na pressão e rotação do motor. A taxa de compressão é livre, porém para os WRC/WTCC é limitada há 12,5:1 para uma gasolina de 100 RON.

Há rumores que esta sendo explorada a pressão de 2,5bar no coletor de admissão o que levou a RLM ter que instalar um sistema independente de refrigeração de óleo para os pistões, logo abaixo dos esguichos de óleo. Mesmo com a implicação da redução de peso, é utilizado 6 injetores de óleo para os pistões.Rodando com a mistura E10, possibilitou uma taxa de compressão de 12:1, o que é interessante par eficiência energética.

Entretanto, vale lembrar que para confiabilidade em uma competição de 24 horas, a pressão no coletor não deve exceder os 2,0bar. O boost é controlado pela central do motor (EMS, sigla em inglês), gerando uma curva plana de torque. Como resultado tem-se a potência máxima a 7400rpm e o início da linha vermelha em 7500rpm. A injeção direta irá trabalhar com lambda = 1.0 até a abertura de 100% do corpo do acelerador, sacrificando um pouco de potência em favor da economia de combustível, uma vez que isto não prejudica a estratégia do projeto. O objetivo de consumo está no patamar de 220-225 g/KW/h.

O sistema de injeção direta de combustível vem da experiência da RML com os motores da WTCC, assim como desenho de câmara. A bomba de combustível é a mesma Bosch de alta pressão (200bar) em conjunto com um injetor do tipo solenoide também Bosch e uma Life Racing SEM.

Um bloco para WTCC da RML segue especificações que o fazem pesar no mínimo 20kgf, porém este modelo adaptado DIG-T pesa por volta de 15 Kgf. As demais peças também tem o peso reduzido, como por exemplo, a cobertura do comando de válvulas que é de fibra de carbono. Destaque para o virabrequim que possui diversos alívios e utiliza contrapesos de tungstênio para minimizar as vibrações que o motor induz no chassi.

Uma das requisições mais importantes feitas por Bowlby para Nissan era de que o motor deveria ser o mais leve possível e deveria passar o mínimo de vibrações possíveis para o chassis. Assim o motor foi montado em cima de coxins anti vibração, ou seja, este não seria um motor estrutural. Uma solução completamente diferente do que a RML e Nissan costumam usar em seus carros de corrida.

O turbocompressor do DIG-T é fornecido pela Garrett, foi concebido sob medida para o projeto, visando o mínimo de peso e o máximo de desempenho. Este possui uma entrada de magnésio em conjunto com uma wastegate de titânio (que é controlada eletronicamente pela EMS). O sistema de exaustão foi construído sob medida em INCONEL pela Burn Stainless.

O DIG-T pesa 90Kgf ao todo, já inclusos todos os sistemas, como alimentação, alternador, embreagem e exaustão. Mas a Nissan afirma que o maior desafio foi alocar todas as peças no chassi enxuto do DeltaWing.

Para ater aos requisitos de projeto, onde a distribuição de peso deveria ser de 28/72, dentro do contexto de utilizar o monocoque do Aston Martin AMR-One, foi necessário realocar o motor para trás, onde normalmente estaria o tanque de combustível. Esta estratégia é possível pois o DeltaWing necessita apenas de 53% do volume do tanque de combustível normal de um protótipo. Um LMP1 pode usar no Maximo 75 litros (no caso de turbodiesel 65 litros), o Deltawing utiliza apenas 40 Litros, enfatizando sua relativa eficiência energética. Com este volume o projeto 56 espera conseguir 12 voltas entre os reabastecimentos.

O motor foi colocado na parte de trás do monocoque, alojando de forma que o pistão numero 1 ficasse bem próximo da parede do mesmo, fazendo com que a correia sincronizadora ficasse protegida do ambiente, porém prejudicando sua acessibilidade. Alem disso, toda instalação foi muito apertada, causando alguns problemas.

Devido ao espaço reduzido foi utilizado um coletor de ar pequeno, que no caso ajuda no desempenho do motor. Como não há restritor de ar, o coletor pode ser otimizado, o que não ocorre com os WRC/WTCC.  Alem disso, a rota que o ar do turbo compressor para o aftercooler trouxe poucas vantagens.  A RML e a Nissan preferiram não recorrer ao uso de um sistema de anti-leg, que é comum nos modelos do WRC.

O DeltaWing possui um aftercooler ar-ar no sidepod direito e o radiador do motor do tipo água-ar no lado oposto. O óleo é refrigerado através de um radiador água-óleo.

O DeltaWing possui uma embreagem de placa dupla de 4.5 polegadas, fornecida Pela Tilton, em seu volante do motor. O carro utiliza com uma caixa de câmbio muito compacta, de projeto próprio e fabricada pela EMCO, pesando apenas 32 Kgf. Seu sistema de acionamento é sequencial, sendo projetada para operar eletronicamente através de acionadores no volante. Inicialmente a transmissão final recebeu um diferencial aberto, que futuramente deverá ser substituído por um com controle vetorial de torque.

Contudo o Nissan DeltaWing DIG-T e a produção do 1.6 litros l4 Nissan MR16 DIG-T, corrente em outros carros da marca, tem apenas superficialmente similares, como aponta Jerry Hardcastel do centro de técnico Europeu da Nissan, há muitas áreas em que a tecnologia dos motores de competição cruza com as dos veículos de rua. Ele prevê lições valiosas que serão aproveitas do Programa de Le Mans para os carros de rua.

Os carros de rua já se beneficiam de algumas tecnologias das competições, como os injetores de óleo para refrigerar os pistões — claro que não tão sofisticados — e os tratamentos de superfície como DLC, que atualmente é aplicado nos tuchos enquanto nos carros de corrida até a arvore de comando recebe este tratamento. Hardcastle salienta esta tecnologia de spray de plasma :”Eu vejo isto como o futuro para os pequenos motores a gasolina”.

Contudo os veículos de rua utilizam injetores piezelétricos enquanto nas competições utilizam solenóide e bomba de alta pressão, muito similar a bomba de alta pressão da Bosch. Hardcastle prevê que logo os veículos de rua atingiram a pressão de 200bar na linha de combustível.

Alguns veículos de rua já se beneficiam de tecnologias de carros de corrida como “tecnologia de fluxo altamente turbulento” entre outras. Embora os veículos de competição são calibrados para utilizarem o corpo de aceleração no máximo, outros são otimizados para trabalhar com lambda=1.0 que, neste aspecto, ecoam nos carros de rua.

Com grande ênfase em eficiência energética e mínimo peso, o DeltaWing está em sintonia com as necessidades dos veículos comuns, o que a Nissan acha muito relevante. Uma pequena possibilidade para que ele seja um ponto de referencia, no futuro, para Formula 1 e Indy também. E um dia nós poderemos aceitar como o visual do DeltaWing como normal em lugares como Le Mans, Indianapolis, Monte Carlo e Monza.

 

Tradução de Flávio Koiti Maruyama de texto extraído da revista Race Engine.

 

http://www.youtube.com/watch?v=DlLZ3d-X8aY

http://www.youtube.com/watch?v=z3qSMauvYks

http://www.youtube.com/watch?v=1QwpOpfHycU

http://www.youtube.com/watch?v=fvdz6CXroSk

http://www.youtube.com/watch?v=q3ZaJfrd-5E&feature=related

 

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